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Grandes Nomes

 

 

Manoel Antonio Pitta Pinheiro Albuquerque

(7 de dezembro de 1927 - 17 de janeiro de 2010)

Por Walmor J. Piccinini

A segunda metade do Século XX foi marcada por grandes transformações na Medicina e na Psiquiatria. Formado em 1951 pela Faculdade de Medicina da UFRGS, Manoel Albuquerque teve destacada participação. Filho de jurista, neto de médico e certamente influenciado por uma mãe que era uma espécie de relações públicas inata, Manoel Antonio Pitta Pinheiro de Albuquerque apresentou todas essas qualidades reunidas. Líder, tribuno, político, médico competente, com boas relações com todos, esteve presente em quase todos grandes momentos da Medicina e da Psiquiatria nos últimos 60 anos. Homem múltiplo, generoso, presidiu a Associação Médica do Rio Grande do Sul, a Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, a Academia Sulriograndense de Medicina e da Associação Psiquiátrica da América Latina.

Foi personagem fundamental na criação da Associação Brasileira de Psiquiatria em 1966.

Manoel Albuquerque, ainda doutorando,casou-se com a médica Iracema Campos de Albuquerque, com quem conviveu por 58 anos e partilhou o consultório de psiquiatria. Iracema o acompanhou sempre, nos bons e maus momentos. Tiveram três filhos, Diane M. Campos de Albuquerque, psiquiatra, que lhe deu três netos e um bisneto; Galton Campos de Albuquerque, médico clínico e professor da UFRGS, orgulhoso papai de mais um dos seus netos e Liana Albuquerque Kalil, psicóloga, casada com Jorge Elias Kalil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da USP, com dois filhos.

Enumerar todas as atividades em que Manoel Albuquerque esteve presente é tarefa exaustiva e não seria fácil a leitura. Vou colocá-las em uma espécie de roteiro:

Contribuição de M. A. Albuquerque a História da Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (atual Associação Psiquiátrica do RGS).

Foi Professor Associado da UFRGS e Titular do Departamento de Psiquiatria da PUCRGS.

1954: Foi Secretario da Sociedade de Neurologia Psiquiatria e Neurocirurgia do RGS. (SNPNCRGS).

1960: Membro da Comissão Organizadora da I Jornada Sul Riograndense de Psiquiatria Dinâmica.

1961: Delegado da SNPNCRGS na Assembléia de Delegados da AMRIGS.

1964: Foi vice-presidente da SNPNCRGS.

1964: Membro da Comissão do governo do Estado que reorganizou os serviços públicos estaduais.

1965: Presidente da SNPRGS – destaques da sua presidência:
a) Propôs e obteve filiação a Associação Mundial de Psiquiatria.
b) Membro da Assembléia Mundial da WPA no congresso do México.
c) Delegado efetivo da SNPNCRGS na Assembléia da AMRIGS.
d) Organizou a delegação gaúcha para o Congresso de Fortaleza, grande passo para a integração dos psiquiatras gaúchos com a psiquiatria brasileira.

1965: Atuação decidida em relação aos médicos presos políticos, começando por um ex-presidente da AMRIGS (Newton Neves da Silva) e depois com vários psiquiatras que receberam seu apoio.

1965/66. Comissão de Ensino Médico da AMRIGS.

1965/66. Membro efetivo da Comissão Científica da AMB.

1966: Atuação destacada nas articulações para fundação da ABP.

1966-72: Membro do Conselho Executivo da ABP.

1972: Vice-Presidente da ABP.

A atuação de Manoel A. Albuquerque na Associação Médica do Rio Grande do Sul foi extensa. Vou resumi-la em poucas linhas: foi presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul no período de 1969-1971. Neste período turbulento da vida política nacional teve que enfrentar prisões de colegas e planejar o futuro médico. Na sua gestão foi criado o Exame AMRIGS, que até hoje é um excelente método de avaliação dos alunos e das escolas médicas do Estado.

Além disso, teve marcante atuação na Apal, aonde chegou à presidência. Essa sua atividade foi reconhecida e recebeu justa homenagem da Apal no Congresso Brasileiro de Psiquiatria.

Fica na memória de todos seu desempenho como presidente da Assembléia Geral da ABP em época de alteração dos estatutos, onde o clima chegava a beira de conflagração e ele, altaneiro, conseguia levar o trabalho a bom termo. Homem generoso, jamais expressava mágoa ou desgosto contra pessoas que o prejudicaram em certos momentos de sua vida, seguia em frente, muitas vezes enfrentando perdas financeiras, mas mantendo seu orgulho e autoconfiança. É assim que devemos lembrar esse médico, esse psiquiatra que tanto bem fez aos seus pacientes, aos seus colegas e aos seus alunos. Segue em paz amigo Manoel. A Associação Brasileira de Psiquiatria agradece tua permanente dedicação e tua magnífica contribuição no seu fortalecimento e engrandecimento.

A Psiquiatria Online Brazil publicou uma biografia de Manoel Albuquerque. Acesse aqui.

Seus amigos da Lista Brasileira de Psiquiatria expressam profundo pesar pela perda do seu membro mais veterano, estamos todos mais pobres e muito tristes.

     
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