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Grandes Nomes

 

 

Juliano Moreira (1873-1933)

• Nasceu em Salvador (BA), em 1873 e faleceu em Correias (RJ) em 1933.

• Formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia em 1891.

• 1896-1902: professor substituto da cadeira de Clínica Psiquiátrica e Moléstias Nervosas da Faculdade de Medicina da Bahia.

• 1903-1930: diretor do Hospital Nacional de Alienados (RJ).

Juliano Moreira: atuação institucional

• No Rio de Janeiro não ocupou um posto acadêmico.
“Chefe de escola”. Colaborou na formação de alienistas no
Hospital Nacional.

• Participou ativamente de sociedades científicas e congressos médicos internacionais.

• Implementou projeto reformador no Hospital Nacional de Alienados.

• Organizou a Assistência a Alienados (depois Serviço Nacional de Assistência a Psicopatas).

• Colaborou no Decreto 1.132 (1903): “Reorganiza a assistência a alienados” no país.

Juliano Moreira: consolidação da psiquiatria

• Co-fundador de periódicos médicos.
• 1905. Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e
• Ciências Afins .
• 1911. Arquivos Brasileiros de Medicina.
• 1930. Arquivos do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro.

• Co-fundador de sociedades médicas.
• 1907. Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina
• Legal.
• 1923. Liga Brasileira de Higiene Mental.
• 1928. Sociedade Brasileira de Psicanálise (seção RJ).


Juliano Moreira: produção científica

• Dermatologia e Sifiligrafia. Neuropsiquiatria.

• Doenças sistêmicas graves, com potenciais manifestações cutâneas e neuropsiquiátricas (sífilis, lepra e intoxicações arsenicais).

• Publicações em revistas internacionais. Diálogo com especialistas da Europa.

• Estudos da dementia paralytica: raça não tem influência.
- Etiologia da sífilis maligna precoce (tese inaugural), 1891.
- A contribution to the study of dementia paralytica in Brazil. Journal of
Mental Science, vol. 53, p. 507-521, 1907 (com Antonio Penafiel).
[Contribuição ao estudo da dementia paralytica no Brasil. Revista Latinoamericana
de Psicopatologia Fundamental, 8 (4): 812-827, 2005].


• Divulgação sistemática da obra de Emil Kraepelin. Nosografia.
- A paranóia e as síndromes paranóides. Archivos Brasileiros de Psychiatria, Neurologia e Sciencias Affins, 1905 (com Afrânio Peixoto).
[Republicado em Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 4 (2):134-167,
2001].

• Apropriação crítica da psicopatologia européia (alemã, francesa, italiana, inglesa).

• Estudos de psiquiatria comparada no Brasil.
- Les maladies mentales dans les climats tropicaux. Archivos Brasileiros de Psychiatria, Neurologia e Sciencias Affins, 1906 (com Afrânio Peixoto).
[As doenças mentais nos climas tropicais. Revista Latinoamericana de Psicopatologia
Fundamental, 8 (4): 794-811, 2005].
- Correspondência com Kraepelin.


• Modelos assistenciais, métodos de tratamento e legislação psiquiátrica.
• Histórias da medicina e da psiquiatria no Brasil.


Um psiquiatra negro frente ao “racismo científico”

• Juliano Moreira nasceu e cresceu no Brasil escravista; viveu num tempo de fortes preconceitos raciais.

• Tinha uma posição crítica quanto à inferioridade inata atribuída aos negros pela ciência.

• Relação entre biografia / posições científicas.
Reducionismo: atribuir-lhe uma identidade racial de
cunho essencialista.




Juliano Moreira: clima, raça e doença mental

• Discute alguns princípios da psiquiatria comparada européia.

• Não há doenças mentais próprias dos climas tropicais.

• A raça não determina o aparecimento de certas formas de doença mental.

Juliano Moreira: etiologias das doenças mentais

• Doenças mentais: relacionadas a fatores individuais e sociais, não raciais e climáticos.

• Etiologias das doenças mentais: orgânicas, psicogênicas. Desconhecidas na maior parte.

• Ênfase na higiene (condições sanitárias), na educação, nas condições gerais de vida.

Juliano Moreira: psiquiatria e higienismo


• 1910-1930. A mestiçagem e o clima tropical gradativamente deixam de ser responsabilizados pelo “atraso” do país.

• Movimento sanitarista: aponta que o problema é a doença, não a raça.

• Possibilidade de futura igualdade do Brasil com as nações civilizadas (em termos sociais, econômicos ou científicos).

Mestiçagem, degenerescência e doença mental

• Raimundo Nina Rodrigues e Juliano Moreira foram docentes da Faculdade de Medicina da Bahia (1896-1902).

• Ambos concordam que a degenerescência (pela hereditariedade mórbida) seria causa de certas doenças mentais.

• Nina Rodrigues: a mestiçagem favorece a degenerescência, e esta a instabilidade e a alienação mental.

• Juliano Moreira: a mestiçagem não causa a degenerescência, mas sim o alcoolismo, a sífilis, os abusos venéreos, etc.

Juliano Moreira. Querelantes e pseudo-querelantes. Archivos Brasileiros de
Psychiatria, Neurologia e Medicina Legal, 1908.


Caso de um paranóico, filho de mãe negra e pai italiano.

”Tendo mostrado este doente ao Prof. Nina Rodrigues, achou ele
no caso mais uma prova de que a mestiçagem é um fator
degenerativo”...

J. Moreira discorda, investiga na Europa o ramo italiano da
família e encontra vários casos de doença mental, concluindo que
a degenerescência fora transmitida pelo pai branco, um “bêbado
habitual”, e não pela mistura de raças ou pela mãe negra, uma
“mulher sã”.



História de uma psiquiatria brasileira
Prof. Dra. Ana Maria Galdini Raimundo Oda
Prof. Dr. Paulo Dalgalarrondo

     
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